IRMÃ RITA DE JESUS

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A Irmã Maria Rita de Jesus, nasceu a 23 de Janeiro de 1885, na Freguesia da Vitória, na cidade do Porto. Ingressou na Congregação das Franciscanas de Calais, hoje, Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora.

É a quarta filha de cinco irmãos: quatro raparigas e um rapaz. Filha de pais católicos e fervorosos, José Francisco de Oliveira Júnior e Deolinda Rosa de Oliveira. Foi batizada na sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Vitoria logo dois dias apos o seu nascimento. Deram-lhe o nome da madrinha – Florinda Rosa.

Frequentou o Colégio de Santo António em Aguas Férreas na rua do Melo – Porto, propriedade das Franciscanas de Calais, hoje, Franciscanas Missionarias de Nossa Senhora, tendo concluído os estudos primários. Em contato direto com as irmãs, sentiu o apelo do Senhor que a chamava à vida religiosa. Florinda Rosa de Oliveira, embora decidida a entrar na Congregação das Franciscanas de Calais, teve de retardar a sua resposta para cuidar do pai já viúvo, muito velhinho e doente. Desde jovem era piedosa, muito ativa e determinada. Ninguém resistia a qualquer dos seus pedidos.

Cronologia

Faleceu o seu pai a quem ela dedicou todo o seu carinho. A sua profissão de modista em muito ajudou a parte financeira da casa. Depois da morte do pai, intensificou o contato com as irmãs franciscanas e já podia entregar-se inteiramente à paixão da sua vida: consagrar-se a Deus na vida religiosa. Dado o ambiente anticlerical vivido em Portugal, teve de se deslocar a Calais- França sede de congregação, para a formação religiosa.

Depois de uma viagem longa entrou como postulante no Mosteiro de Nossa Senhora das Dores em Calais Rua Eustache Saint Pierre.

Tomou o hábito da congregação iniciando o tempo canónico do noviciado e tomou o nome de irmã Maria Rita de Jesus durante todo o tempo de formação para a vida religiosa intensificou e consolidou a sua devoção ao Menino Jesus de Praga com quem mantinha contatos íntimos e diretos. Já antes quando doente, encontra aos pés da cama a figura do Menino Jesus de Praga. A companhia real do Menino sentia-a na execução das tarefas quotidianas e no cuidado prestado aos inválidos e idosos. No seu segundo ano de noviciado fez estágio no hospício de Calais onde eram acolhidas pessoas idosas, mutilados da guerra e órfãs. A Irmã Maria Rita de Jesus dedicava-lhes todos os cuidados com todo o carinho como se do seu querido Menino se trata-se. “ o que fazeis a estes pequeninos necessitados é a mim que fazeis”.

Apos um tempo de preparação espiritual emitiu a sua Profissão Temporária na capela da Casa Geral mosteiro de Nossa Senhora das Dores em Calais.

Fez estagio em Saint Omer

Chega à argentina onde permanece até 1926 trabalhando no hospital de Coronda, na diocese de Santa Fé. Os conflitos regionais deixavam vítimas permanentes pelas ruas. Foram imensos os mutilados os corpos inanimados aos quais as irmãs incluindo a irmã Rita procuravam tratar e aliviar a dor, com heroico esforço físico que a debilitaria para sempre. A sua ternura para com estes doentes terminais era trabalho extenuante, mas realizava-o com a delicadeza de um bordado, a ponto de merecer a alcunha de “ paloma” (pomba). Aceitou com serenidade esta provação, esta proximidade da dor e a dedicação sem medida terá levado a uma fratura dos ossos ilíacos.

Foi enviada para o Porto devido a um surto de peste surgida na argentina. Vai ser no asilo – colégio do Coração de Jesus hoje Centro de Bem Estar Infantil e Juvenil do Coração de Jesus, rua São Dinis no Porto que se dedicaria com toda a alma aos problemas sociais graves das crianças ai recolhidas e suas famílias. Revela grande zelo para acudir à crise social reinante, trabalhando concretamente com as prostitutas e fazendo de mediadora entre os casais separados. Com a finalidade de angariar fundos para as crianças pobres vai pelas ruas estender as mãos à caridade alheia. Desde 1930 sente o apelo interior para propagar a devoção à infância de Jesus que desde o noviciado vivia como experiencia pessoal intensa.

Emite os seus Votos Perpétuos na capela do Asilo Colégio do Coração de Jesus e assume ainda o encargo da capela.

É transferida para o Hospital de Santa Maria, na Rua de Camões no Porto por motivo da sua debilitada saúde e ai alcançara pleno desenvolvimento do culto da Infância do Menino Jesus. O isolamento em que as circunstâncias a colocaram favorecia e impelia o seu contato com jovens do exterior. Revela um carisma especial na forma cativante com que prende a juventude exercendo uma maternidade espiritual, irradiando paz e acolhimento, sorriso franco e carinho atento. Apos o contato com Maria Arnalda Reimão da Fonseca Ribeiro em 1938 vai-se esboçando o movimento de leigos que constituíram os “ obreiros” na divulgação da devoção ao Menino Jesus. Era na força da oração que encontrava luz para as dificuldades e ponderação para as decisões. Era esta oração de autêntica e permanente conversa com o seu Menino que guiava as palavras que dizia e as precisões que lançava às pessoas em aflição ou a pedir conselhos tanto pessoalmente como por escrito.

Temos os originais de 1681 cartas e bilhetes. No Hospital de Santa Maria consolava os doentes, instruía-os na Fé e falava-lhes no seu Menino Jesus com simplicidade extraordinária e enorme convicção de Fé. A contrapartida das melhoras que a irmã requeria aos doentes era a oferta de uma imagem do Menino Jesus para uma igreja. Era assim que encontrava subsídios para o seu apostolado.

Por inspiração interior, vai promover na fase final da sua vida, a devoção a Nossa Senhora Menina da Apresentação Rainha. Acrescenta assim à Infância de Jesus a Infância de Maria. A primeira imagem foi benzida na Sé de Braga por D. Francisco Maria da Silva.

No hospital de Santa Maria foram consideradas duas grandes graças que podem ser tidas como milagres: um parto dificílimo e desenganado pelos médicos com a morte da mãe e filho que mediante a petição ao Menino e a presença atuante da irmã Rita se transformou em parto normal com a salvação para ambos. A cura do padre Romao Knorr Saiz, carmelita, com gangrena generalizada, que perante a intercessão da irmã Rita se curou e voltou a realizar o trabalho de que estava encarregado. Cumpriram a promessa atribuindo o nome do Santuário do Menino Jesus de Praga à igreja do seminário em Avessadas – Marco de Canaveses. Celebrou-se precisamente em 2011 os 50 anos da sua inauguração.

Ainda há outra que corresponde à cura de uma criança de Braga com paralisia infantil ( de todas há testemunhas)

Com 80 anos e no quarto 11 do Hospital de Santa Maria – Porto, parte para junto de Deus em grande paz, rodeada pelos amigos colaboradores e algumas irmãs da congregação.

 A Eucaristia do corpo presente na Igreja da Trindade – Porto no dia 30 foi uma prova de estima e de reconhecimento das suas virtudes e energia espiritual que irradiou da vida simples desta franciscana apaixonada pela Infância de Jesus. Possuía os três amores de Francisco de Assis: Encarnação, Eucaristia e a Cruz.

Foi sepultada no cemitério de agra monte no jazigo- capela no sector na Ordem da Trindade. A fama de santidade que a Irma Rita já tinha em vida continuou a difundir-se depois da morte. O seu jazigo é lugar de permanente visita, sempre aberto aos sábados, onde cantos, cheios de confiança depositam os seus pedidos de intercessão ao Menino Jesus e Nossa Senhora Menina.